Classificação de Nice: como escolher corretamente as classes no registro de marca

Quando um empresário decide registrar uma marca no INPI, normalmente o foco está no nome, no logotipo ou na identidade visual. Poucos sabem, porém, que um dos pontos mais importantes — e mais negligenciados — do registro de marca é a Classificação de Nice.
A escolha incorreta das classes é uma das principais causas de indeferimento, proteção fraca ou conflitos futuros com outras marcas.
O que é a Classificação de Nice?
A Classificação de Nice é um sistema internacional que organiza produtos e serviços em 45 classes diferentes — sendo 34 classes de produtos e 11 classes de serviços.
Toda marca registrada precisa estar vinculada a uma ou mais dessas classes, que delimitam o alcance da proteção jurídica.
Em termos simples: o registro de marca não protege o nome em abstrato, mas o nome dentro de atividades específicas.
Por que a escolha da classe é tão importante?
Porque o direito de exclusividade nasce dentro da classe escolhida.
Se a empresa atua fora do que foi descrito no pedido, ela pode:
- não conseguir impedir concorrentes;
- enfrentar oposições ou nulidades;
- perder valor de mercado;
- ter problemas em expansão futura.
Um erro muito comum é escolher classes “parecidas” ou “genéricas”, sem analisar o modelo real de negócio da empresa — atual e futuro.
Classe errada pode invalidar a estratégia de marca?
Sim. E isso acontece com frequência.
Imagine uma empresa que começa prestando serviços e depois passa a vender produtos. Se a proteção foi feita apenas na classe de serviços, o nome pode ficar desprotegido justamente na nova fonte de faturamento.
Além disso, uma descrição mal feita pode levar o INPI a entender que a marca é descritiva, o que aumenta o risco de indeferimento.
Classificação correta é estratégia, não burocracia
Escolher corretamente as classes envolve:
- análise do modelo de negócio;
- leitura estratégica da Classificação de Nice;
- visão de médio e longo prazo;
- entendimento do posicionamento da marca.
Por isso, a Classificação de Nice não deve ser tratada como um campo automático do formulário, mas como parte central da estratégia de proteção da marca.
Se você não tem certeza se a sua marca está registrada nas classes corretas — ou se está realmente protegida para o que sua empresa faz hoje e pretende fazer no futuro — um diagnóstico técnico pode evitar prejuízos e retrabalho. A Eixo realiza análises completas de enquadramento e estratégia de registro de marca.
Guilherme Stefanello Advogado especializado em Propriedade Industrial e Intelectual CEO da Eixo Propriedade Intelectual